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Chuva da madrugada causa tensão no sul da Bahia


O mês começou há poucos dias, mas as águas de março já trazem tensão aos moradores de cidades atingidas pelos temporais de dezembro passado. Alertas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) assustam e não à toa: chuvas intensas com potencial de perigo estão previstas para o sul, centro sul, centro norte e nordeste da Bahia. A previsão é que o risco continue até domingo (6).


Vanessa Cardoso tem apenas 21 anos, mas já viveu momentos de tensão para uma vida toda. A jovem mora em Ilhéus com duas filhas pequenas, uma de 8 anos e outra de três meses, com as chuvas do final do ano passado, o nível do córrego que passa na frente da sua casa subiu, alagou sua casa e chegou a atingir um metro de altura. Com a moradia interditada pela Defesa Civil, passou dias em um abrigo montado em uma escola pública da cidade.

Ela chegou a fazer algumas reformas para poder retornar para casa, mas as chuvas que afetaram o município desde a madrugada de quinta-feira (3), trazem a preocupação de volta. “Eu sinto muito medo que alague tudo de novo. É um desespero toda vez que chove”, desabafa. Vanessa conta que não recebeu nenhuma ajuda da prefeitura e nem do governo do estado. Novos móveis, roupas, medicamentos e alimentos vieram de doações da comunidade.

Jurema Cintra é advogada e diretora do Grupo Amigos da Praia (GAP), organização não governamental que prestou socorro aos atingidos pela chuva em Ilhéus. Muito marcada pelos acontecimentos de dois meses atrás, ela tem medo que a situação se repita e que moradores sejam afetados novamente. O grupo foi responsável por arrecadar mantimentos, fazer mutirões de saúde, limpeza de ruas e reparo de casas.

“Chove forte em Ilhéus hoje. Já imaginamos o que pode acontecer, a métrica parece um prenúncio…Cada vez que chove forte sinto gatilhos emocionais, foi muito duro o que vivemos aqui”, diz Jurema.

O coordenador da Defesa Civil de Ilhéus, Joandre Neres, afirma que 66 milímetros de chuva foram registrados na cidade desde a madrugada até às 10 horas de quinta-feira (3). “Pedimos para que os que já foram afetados antes fiquem na casa de parentes. Muitas pessoas acabam retornando, mesmo com a casa em risco. A gente pede que os moradores mantenham atenção redobrada e, qualquer coisa, entrem em contato com a Defesa Civil”, diz. Até às 11 horas da manhã, já haviam sido feitas 11 ocorrências de desmoronamentos e alagamentos.

No final de janeiro, o governo do estado autorizou obras de requalificação em 37 cidades afetadas pelas chuvas, com um investimento de R$57 milhões. Também foi anunciado o programa Bahia Minha Casa, que deverá construir moradias em municípios, inclusive em Ilhéus.

“É difícil até de falar, estamos assustados, muita agonia de novo. Além do medo de cair barro”, conta Patrícia Souza, de 28 anos. A casa onde ela mora com pais foi atingida pelo desabamento de um barranco na Avenida Palmares, em Ilhéus.

Durante a chuva no final de dezembro, sua mãe de 50 anos, estava fazendo uma valeta para que água pudesse escoar e acabou sendo soterrada quando o barranco desabou. A mulher sofreu vários ferimentos e precisou ser hospitalizada. Mesmo com medo de novas tragédias, a família diz que não tem para onde ir e permanece no local, com risco de novos deslizamentos acontecerem. Fonte: Correio24horas/Maysa Polcri

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