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Chuvas geram perdas de vacinas e remédios em ao menos 17 cidades da Bahia


Não são apenas a pandemia de covid-19 e o surto de gripe H3N2 que têm afetado a Bahia. As chuvas mais fortes dos últimos 32 anos também têm gerado problemas em secretarias de Saúde de diversos municípios. De acordo com o levantamento do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde da Bahia (Cosems-Ba) e com declarações do governador Rui Costa (PT), pelo menos 17 cidades tiveram perdas de vacinas, remédios, equipamentos ou insumos hospitalares por causa das enchentes (confira a lista completa desses municípios abaixo).

Houve cidades que perderam todas as doses de vacinas ou medicamentos presentes nas unidades de saúde alagadas. Esse é o caso de Jucuruçu e Itororó, municípios localizados no sul da Bahia, conforme apontado pelo governador, nesta terça-feira (28), em entrevista a rádios do estado. “Em alguns locais, 100% de todo o medicamento e de todas as vacinas foram perdidas, porque algumas secretarias municipais de saúde e os depósitos de medicamentos ficaram embaixo d’água completamente”, disse.


Segundo o governador, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) está acompanhando a situação. Uma das cidades citadas pelo governador, Itororó, aguarda justamente do Estado a reposição de material. “Já pedimos a medicação à Sesab. Organizamos uma central que está dando suporte à comunidade com médico e enfermeiro, mas precisamos dos remédios e aguardamos a secretaria estadual encaminhar”, relata Ana Paula Rios, secretária de Saúde da cidade.

Em Itororó, todas as vacinas e medicamentos que estavam nas unidades de saúde afetadas pela chuva foram perdidos. Isso significa que ainda tem vacina e medicamento na cidade, mas somente nas unidades que não foram impactadas, o que é pouco para atender a demanda do município. “A vacinação continua nas unidades que estão funcionando, mas acreditamos que as doses que sobraram não duram uma semana”, diz Ana Paula.

No total, foram seis unidades de saúde de Itororó atingidas pelas enchentes, sendo duas Unidades Básicas de Saúde (UBS), o centro Covid, a sede administrativa da secretaria, o almoxarifado e a central de regulação e exames. A expectativa é que sejam necessários R$ 2 milhões para reestruturar esses espaços.

“Algumas coisas tivemos perda total. Perdemos todos os computadores e a parte informatizada da saúde. Tem uma unidade que estava novinha e todos os equipamentos foram quebrados”, lamenta.

O governador Rui Costa visitou Itororó nessa segunda-feira (27) e viu de perto as perdas. “O térreo da prefeitura, dois pavimentos, ficou completamente alagado, perdeu tudo que estava na área térrea, inclusive um posto de saúde perdeu todas as vacinas. Nesse momento [temos que repor] o mais rápido possível esses medicamentos, vacinas e material para a atenção médica”, disse.

Levantamento Presidente do Cosems e secretária municipal de Saúde de Madre de Deus, Stela Souza acredita que o número de cidades cujas secretarias de saúde foram impactadas pelas chuvas é maior do que 17. É que se trata de um dado preliminar, pois diversos secretários municipais estão com dificuldade de entrar em contato com a pasta, que está centralizando as informações e repassando para a Sesab.

“Isso se deve à dificuldade de acesso em algumas regiões que estão completamente isoladas. Mesmo assim, o Cosems tem feito contato com todos os secretários dos municípios atingidos pelas chuvas e solicitado deles a relação dos medicamentos mais emergenciais que estão em falta para ser encaminhado à Sesab com o pedido de urgência”, relata.

Em Itabuna, por exemplo, a situação é tão grave que os agentes da prefeitura ainda não conseguiram contabilizar as perdas. Por lá, o almoxarifado, que era o local de abastecimento de boa parte dos insumos que assistia às unidades de saúde, foi devastado pelas fortes chuvas e todo o estoque foi perdido.

“Os pontos de atendimentos aos desabrigados estão com aumento de demanda e, por isso, os envios de medicamentos estão acabando mais rápido. Nesse sentido, estamos contando com as doações de medicação que estão chegando na Central de Regulação, que também é ponto de apoio e distribuição para os abrigos”, disse a prefeitura, em nota.


O temor da secretária de Saúde, Livia Mendes Aguiar, é que, com o contato das pessoas com as águas da enchente, a prescrição de medicamentos seja cada vez mais demandada, o que pode gerar um problema logístico.

“A gente teme a questão da leptospirose, pois tem muita água contaminada. Muita chuva também predispõe sintomas gripais e, quando isso passar, se as pessoas não tiverem cuidado com a água parada, vamos sofrer surtos de arboviroses”, prevê.

Essa preocupação também foi compartilhada pelo governador Rui Costa em sua entrevista. “Eu não sou especialista, não sei os nomes de todas as endemias, mas algumas aparecem, como a doença provocada pelo xixi do rato, pelas fezes do rato, que nesse momento de enchente isso se dissemina na água. Então, é preciso muito cuidado das pessoas para não ingerir em hipótese alguma essa água de enchente”, pede.

A Sesab foi questionada se alguma cidade precisou interromper a vacinação por causa das fortes chuvas, mas não respondeu até o fechamento do texto.

União Se não está sendo fácil fornecer assistência hospitalar nas cidades atingidas pelas chuvas, as principais entidades da Saúde na Bahia decidiram dar início nesta terça-feira (28) à ação “Saúde Bahia Solidária”. Diferente da maioria das campanhas observadas, essa aqui não tem o objetivo de arrecadar somente alimentos, água mineral ou vestimentas, mas também máscaras, álcool em gel, luvas descartáveis, artigos de higiene, material de limpeza e repelentes.

Tudo isso será doado para as milhares de vítimas das chuvas que voltaram a castigar mais de cem municípios baianos. As doações podem ser feitas de 28 a 30 de dezembro de 2021 e de 3 a 7 de janeiro de 2022, das 8h às 17h, em três pontos de coleta: Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (CAB), SINDPREV Bahia (Rua Eng. Silva Lima, 4 – Nazaré) e Associação Atlética da Bahia (Rua César Zama, 316 – Barra).

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